22 de abril de 2011

A alegria de viver em Elsa & Fred

Há filmes necessários para vivermos bem, que nos cutucam. Um desses filmes é “Elsa & Fred – Um amor de paixão” (2005), de Marcos Carnevale. Uma co-produção Argentina e Espanha.

É uma divertida história de amor vivida aos quase 80 anos de vida de Fred, recém viúvo e Elsa, uma senhora com espírito jovial, daquelas que raramente levam algo a sério. Enquanto ele é o contrário, muito sério, apático, todo organizado e hipocondríaco. Os dois, depois de se tornarem vizinhos e se conhecerem por conseqüência de uma travessura de Elsa, se apaixonam. 

Podemos dizer que há uma seqüência que resume bem o espírito do filme, é quando ela o tira de casa para jantar num dos melhores restaurantes da cidade. Apesar das reclamações dele quanto ao ácido úrico da carne e ao colesterol da sobremesa, ela o faz entender que é melhor comer tudo isso enquanto pode, enquanto não há uma doença que o restrinja. Ao final do jantar, quando chega a conta, os dois concluem que é muito, mas muito cara. Ele reclama “como pode tudo aquilo por um bife e uma sobremesa?”. Ela diz que ele não está pagando só por isso, mas, sim, pela noite maravilhosa que estão tendo. E ela diz da seguinte forma “...é pela noite maravilhosa que tivemos e isto não tem preço. E quando não se tem preço, não se paga”. Simples assim. Ele não entende de primeira e ela diz “Vou contar até três. No três, nós levantamos e saímos.” Ele acha a idéia absurda, a chama de louca. Ela começa a contagem e os dois saem sem pagar. Ele fica muito nervoso com ela, continua dizendo que ela está louca, que não pode viver com essas incoerências e no carro, ele começa a passar mal, ter uma taquicardia. Ela o leva ao hospital. Lá, o médico diz que não é nada sério, pergunta se ele havia bebido muito, feito alguma refeição pesada, ou se chateado com alguma coisa. Ele, bravo, diz que fez tudo isso em menos de duas horas. O médico sai e segundos depois, os dois caem na gargalhada, vêem como a situação realmente não poderia ser levada a sério.


Elsa & Fred também demonstra que na terceira idade, após os 60, 70 anos, a vida pode ser vivida intensamente. Que dois seres, duas almas, podem se amar a qualquer momento. Que a vida não acaba, enquanto a morte não chega. Cada momento é sagrado, é pleno de ser vivido. Há tempo para se realizar sonhos. Além disso, mostra que é necessário se preocupar com o que realmente importa, os momentos alegres e prazeirosos, a vibração da alegria, o poder do bem e de estar bem. Coisas materiais, futuro, status, são apenas ilusões, besteiras, elementos desnecessários. É bom não esperarmos que uma doença nos atinja para que pensemos da mesma forma e saibamos apreciar os verdadeiros valores.