19 de fevereiro de 2012

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005)

Filme: O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain)
Diretor: Ang Lee
País: EUA - 134 min

A importância desse filme é indiscutível para a história do cinema e da humanidade. Nunca o homossexualismo esteve tão em evidência na história da sociedade moderna. Se hoje em dia o tema ainda gera polêmica e diversas discussões, imagine há 7 anos em que o mundo era um pouco menos aberto. Para o público massificado, este filme pode ter sido uma novidade, uma ousadia, mas para os frequentadores dos circuitos alternativos, a prática de se falar sobre homossexualismo na sétima arte já é antiga. 

O grande público, desacostumado a ver cenas íntimas entre dois homens que se amam intensamente, um amor que ultrapassa qualquer regra social e cultural, pode ter sentido um estranhamento ao se deparar com dois atores, ambos conhecidos, Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, se beijando e se amando em um cenário extremamente machista, o dos cowboys texanos. A ousadia do Ang Lee está exatamente aí, colocar a temática homossexual em ambiente extremamente masculino, em uma época, década de 60, em que escolher uma opção sexual era inadmissível, pois não havia opções. 

Para os cinéfilos que frequentam os cinemas alternativos, o filme não passou de mais um com a temática homossexual. Há belíssimas histórias de amor entre homens e entre mulheres dentro da sétima arte e que não atingiram o grande público. Como os fillmes de Pedro Almodóvar, que retrata os dramas dos homossexuais por todos os ângulos, mulheres que amam homens que amam outros homens, drag queens, relacionamentos incestuosos, pedofilia praticada por padres e outros temas que sempre geram alguma polêmica. Um dos mais ousados filmes do diretor é o seu sexto longa, intitulado A Lei do Desejo, de 1987, que tem no elenco o iniciante Antonio Banderas.

O Segredo de Brokeback Mountain é uma história de amor lindíssima que deve ser assistido com o coração aberto, pois retrata os conflitos internos e externos entre duas pessoas que se amam e ponto final. Recomendado a homossexuais, heterossexuais, bissexuais, transsexuais e qualquer outra modalidade de opção sexual que pode ser inventada ou que até tenha sido inventada mas desconhecida por esta humilde cinéfila. Basta ser um ser humano que sabe ou que um dia soube o que é o amor, para se sensibilizar e derramar lágrimas doloridas.




8 de janeiro de 2012

A DUPLA VIDA DE VÉRONIQUE (1991)

Filme: A DUPLA VIDA DE VÉRONIQUE (La Double Vie de Véronique)
Diretor: Krzysztof Kieslowski
Países: França, Polônia e Noruega - 98 min.


O cineasta polonês Kieslowski era realmente um poeta das imagens. Eu vi este filme há muitos anos, posso dizer mais que dez. Não tinha repertório nenhum para compreendê-lo na época. Desta vez, com o olhar mais apurado, mais atento, pude captar suas nuances, sua delicadeza e seu simbolismo. 

Neste longa, o primeiro do cineasta, ele retoma um tema do folclore europeu, a lenda do doppelgänger, ou seja, ele brinca com a idéia de que todo ser humano possui um duplo em algum lugar do mundo. Nesta história, são duas mulheres, a Weronika e a Véronique. A primeira é uma polonesa, com um talento extraordinário para a música e a segunda é uma francesa, com a mesma aptidão, mas que faz outras escolhas e concretiza um outro destino. Fisicamente são idênticas, tanto que ambas possuem um mesmo problema físico, uma doença no coração. O filme o tempo todo mescla as histórias de Weronika e Véronique, até quase se cruzarem, até terem a impressão de que se viram e em vários momentos, uma parece sentir a presença e os sentimentos da outra, sem saber ao certo o que sentem.

Kieslowski utiliza-se muito de recursos cinematográficos para evidenciar a ideia da duplicação, como reflexos no espelho, utilização de objetos iguais por cada uma das personagens e outras sutilezas. Encontrei uma análise incrível sobre todos esses detalhes na internet, intitulada O encontro de opostos inconciliáveis: analisando A Dupla Vida de Véronique. Aqui vai o link para quem quiser se aprofundar na interpretação da obra: http://www.ufscar.br/rua/site/?p=1971.

Por ser uma belíssima fábula, com um ritmo e uma ambientação um tanto onírica, de extrema delicadeza e com interpretação dupla da belíssima Irène Jacob, o filme é realmente imperdível. 


1 de janeiro de 2012

O BATEDOR DE CARTEIRAS (1959)

Filme: O BATEDOR DE CARTEIRAS (Pickpocket)
Diretor: Robert Bresson
País: França - 75 min.

O francês Robert Bresson (1901-1999) fazia cinema do seu jeito, conforme suas convicções. Para ele, não havia atores e sim modelos, detestava as interpretações por ele consideradas exageradas, por isso, imprimia na tela personagens secos, frios, que praticamente recitavam suas falas. Trata-se de um filme um tanto quanto particular, de um diretor que eu nada conhecia.

Em "O Batedor de Carteiras", Bresson no mostra um habilidoso ladrão que nada demonstra de seus sentimentos. Parece um bandido robô. Só sabemos de seus sentimentos quando ele nos conta por meio da narração da história. Muitas vezes a narração se confunde com a fala. A maior característica do personagem está em sua habilidade de roubar sem ser percebido. Seu prazer, insaciável, está em praticar a arte de retirar carteiras de bolsos, dinheiro de bolsas, relógios de pulsos sem que a vítima sinta qualquer movimento. Isso se torna um pouco cansativo durante a narrativa, mas demonstra o desejo do diretor de retratar na tela o prazer do sentido. Segue palavras do próprio diretor para o "L'Humanité" em 12 de setembro de 1959: "Não entendo nada de psicologia, o que me interessa é o balé das mãos, somente o balé das mãos como em 'Pickpocket'. Detesto os filme de atores.(...)" 

Para quem gosta de personagens complexos, histórias com teor psicológico denso, filmes do Bresson não são a melhor pedida.