Diretor: Robert Bresson
País: França - 75 min.
O francês Robert Bresson (1901-1999) fazia cinema do seu jeito, conforme suas convicções. Para ele, não havia atores e sim modelos, detestava as interpretações por ele consideradas exageradas, por isso, imprimia na tela personagens secos, frios, que praticamente recitavam suas falas. Trata-se de um filme um tanto quanto particular, de um diretor que eu nada conhecia.
Em "O Batedor de Carteiras", Bresson no mostra um habilidoso ladrão que nada demonstra de seus sentimentos. Parece um bandido robô. Só sabemos de seus sentimentos quando ele nos conta por meio da narração da história. Muitas vezes a narração se confunde com a fala. A maior característica do personagem está em sua habilidade de roubar sem ser percebido. Seu prazer, insaciável, está em praticar a arte de retirar carteiras de bolsos, dinheiro de bolsas, relógios de pulsos sem que a vítima sinta qualquer movimento. Isso se torna um pouco cansativo durante a narrativa, mas demonstra o desejo do diretor de retratar na tela o prazer do sentido. Segue palavras do próprio diretor para o "L'Humanité" em 12 de setembro de 1959: "Não entendo nada de psicologia, o que me interessa é o balé das mãos, somente o balé das mãos como em 'Pickpocket'. Detesto os filme de atores.(...)"
Para quem gosta de personagens complexos, histórias com teor psicológico denso, filmes do Bresson não são a melhor pedida.

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