Diretor: Krzysztof Kieslowski
Países: França, Polônia e Noruega - 98 min.
O cineasta polonês Kieslowski era realmente um poeta das imagens. Eu vi este filme há muitos anos, posso dizer mais que dez. Não tinha repertório nenhum para compreendê-lo na época. Desta vez, com o olhar mais apurado, mais atento, pude captar suas nuances, sua delicadeza e seu simbolismo.
Neste longa, o primeiro do cineasta, ele retoma um tema do folclore europeu, a lenda do doppelgänger, ou seja, ele brinca com a idéia de que todo ser humano possui um duplo em algum lugar do mundo. Nesta história, são duas mulheres, a Weronika e a Véronique. A primeira é uma polonesa, com um talento extraordinário para a música e a segunda é uma francesa, com a mesma aptidão, mas que faz outras escolhas e concretiza um outro destino. Fisicamente são idênticas, tanto que ambas possuem um mesmo problema físico, uma doença no coração. O filme o tempo todo mescla as histórias de Weronika e Véronique, até quase se cruzarem, até terem a impressão de que se viram e em vários momentos, uma parece sentir a presença e os sentimentos da outra, sem saber ao certo o que sentem.
Kieslowski utiliza-se muito de recursos cinematográficos para evidenciar a ideia da duplicação, como reflexos no espelho, utilização de objetos iguais por cada uma das personagens e outras sutilezas. Encontrei uma análise incrível sobre todos esses detalhes na internet, intitulada O encontro de opostos inconciliáveis: analisando A Dupla Vida de Véronique. Aqui vai o link para quem quiser se aprofundar na interpretação da obra: http://www.ufscar.br/rua/site/?p=1971.
Por ser uma belíssima fábula, com um ritmo e uma ambientação um tanto onírica, de extrema delicadeza e com interpretação dupla da belíssima Irène Jacob, o filme é realmente imperdível.

