18 de setembro de 2013

Cinelumens NÃO recomenda: O Estranho Caso de Angélica (2010)

O último filme de Manoel de Oliveira tem sido aclamado pela crítica e confesso que discordo completamente dela. 

O fato do cineasta português ter 104 anos, de já ter feito bons filmes, não faz de O Estranho Caso de Angélica um filme quatro estrelas, um filme excelente, cheio de mensagens. Eu não consegui ver metade do que muitos estão vendo e acredito que não é por falta de inteligência, mas sim por falta do que ver. 

O filme conta a história de um fotógrafo muito mal interpretado por Ricardo Trêpa, que é procurado por uma família para fotografar a recém-falecida Angélica (Pilar López de Ayala) em plena madrugada, para recordação da família. Pela lente de sua câmera, o fotógrafo vê a falecida sorrir e passa o restante dos seus dias assombrado pela moça até criar uma obsessão afetiva por ela. 

Além dessa narrativa de fundo, ele retrata tardiamente, a invasão das tecnologias e a morte do artesanal e tradicional. O fotógrafo passa um bom tempo registrando um campo de vinhas cultivadas ainda por trabalhadores rurais e não por máquinas. A dica sobre esse tema abordado está quando a dona da pensão em que ele mora, o questiona sobre a importância de seu trabalho, sobre seu esforço em registrar algo tão ultrapasso e fica indignada com a mudança do rapaz, com o seu jeito. Tudo permeado por diálogos sofríveis que beiram ao ridículo. 

Essa história e a abordagem do tema tecnologia versus tradicional, artesanal poderiam ser muito interessantes se houvesse menos pretensão, se não tivesse a constante ambição em se fazer arte. A arte deve fluir e o filme pouco demonstra fluidez. Muitos podem dizer que eu não tenha entendido a fotografia do filme, o significado dos planos estáticos, a mensagem do filme, mas não há muito o que entender. Por exemplo, na cena inicial, um carro para em frente a uma loja, debaixo de muita chuva e um homem desce e grita pelo nome de um fotógrafo. A sequência dura bastante tempo e a câmera se mantém estática e à distância. Uma ação que considero banal e desnecessária para o enredo do filme.

Antes de escrever esse post, li diversas críticas e achei apenas uma que falou exatamente o que eu havia pensado: um dos piores filmes de Manoel de Oliveira. Quem a escreveu foi Hugo Gomes, português, no site Cinematograficamente falando. Clique aqui para lê-la. 

As aclamações dos críticos brasileiros a este filme comprova o que tenho percebido já há algum tempo, uma superestimação do cinema alternativo, do cinema de autor. Uma necessidade de dizer que tudo que não é cinema pipoca é bom, é admirável e significativo. Sinto falta de uma visão realmente crítica do cinema, uma coerência nas classificações dos guias espalhados pela cidade, assim como sinto falta de uma visão crítica sobre muitas outras coisas.

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