27 de novembro de 2011

ROCCO E SEUS IRMÃOS (1960)

Filme: ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco i suoi fratelli) - 1960
Diretor: Luchino Visconti
Países: Itália e França - 169 min.

Hoje assisti ao italiano "Rocco e Seus Irmãos", considerado um dos filmes mais conhecidos do diretor Luchino Visconti (1906-1976).

Ele não traz muito da estética neorealista italiana da qual Visconti fez parte. Trata-se de um melodrama, com atores conhecidos da época, como Alain Delon, Renato Salvatori e Annie Girardot. O diretor conta a história de uma família de migrantes que saem de uma cidade pobre do sul da Itália para viverem em Milão. A matriarca, Rosaria Parondi, depois de ficar viúva, se muda para Milão com seus quatro filhos, para viver junto a Vicenzo, filho mais velho que já vive na cidade grande. Mas a dureza e frieza comum a cidades como Milão, faz com que surjam muitos conflitos entre os 5 irmãos, desestruturando toda a família.

Portanto, trata-se de um filme com uma carga sociológica muito grande, tentando demonstrar que o meio influencia sim o homem, como acontece com o Simone (Renato Salvatori), um dos irmãos, que se perde totalmente nas ilusões proporcionadas pela cidade, como: dinheiro, mulheres, vícios e etc... Além disso, demonstra a situação da Itália na época, em que no Sul as pessoas viviam em grande pobreza enquanto o Norte estava mergulhado no crescimento econômico e na riqueza. Para evidenciar isso, Visconti transforma um dos irmãos, o Ciro, em um operário da montadora Alfa Romeo em Milão.

Apesar dessas características realistas e sociológicas, algumas interpretações não são muito convincentes. É difícil encarar Alain Delon como boxeador, não passa muita credibilidade, sua carinha de bom moço não combina com boxeadores. Também há um certo exagero na interpretação da matriarca Rosaria Parondi, por Katina Paxinou, pois trata-se de uma mãe sempre dramática e histérica. Um histerismo às vezes desnecessário.

Um das belezas do filme está na fotografia em preto e branco de Giuseppe Rotunno e na música do excelente Nino Rota, que fez a trilha de quase todos os filmes de Federico Fellini. Portanto, cheio de importâncias históricas e sociais, o filme deve ser assistido por quem diz gostar de cinema de verdade.



26 de novembro de 2011

Cinelumens recomenda: A CHAVE DE SARAH

Eu já disse isso uma vez e terei que dizer novamente: quando penso que o cinema já retratou ou recontou tudo sobre a segunda guerra, inclusive os massacres ao povo judeu, um novo filme surge, com uma nova história e ainda surpreende. 

É o caso do francês A CHAVE DE SARAH (2011), dirigido por Gilles Paquet-Brenner, baseado no livro "Elle S´Appelait Sarah", de Tatiana de Rosnay. Ele conta a história de uma jornalista chamada Julia (Kristin Scott Thomas) que vive em Paris nos tempos atuais e que ao fazer uma matéria sobre os judeus que sofreram com o nazismo na França se vê envolvida com a história de Sarah Starzinsky, menina que sobreviveu aos campos de concentração.

Muito bem estruturado, o filme nos envolve com Sarah tanto quanto a jornalista demonstra estar envolvida com a menina. As histórias se entrelaçam e ganham desfechos reais. Além disso, somos presenteados com imagens marcantes, como a que Sarah tenta salvar a chave do armário, lugar onde deixou seu irmão trancado para não ser pego pelos soldados, quando está em meio ao desespero por ser separada de sua mãe no campo de concentração. 

Além disso, podemos contar com ótimas interpretações, como a da Mélusine Mayance, que faz a Sarah menina, e a de Niels Arestrup, que faz Jules Dufaure, o homem que recepcionou Sarah e uma amiga quando estavam fugindo do campo. Seus olhares são marcantes, inesquecíveis, daqueles que nada precisa ser dito.

Portanto, mais um filme para lembrarmos o quanto os seres humanos podem ser cruéis e o quanto outros podem ser tão humanos. Para lembrarmos que a vida ainda pode ter significados grandiosos.