11 de dezembro de 2011

ROMA, CIDADE ABERTA (1945)

Filme: ROMA, CIDADE ABERTA (Roma, Città Aperta) - 1945
Diretor: Roberto Rossellini
País: Itália - 100 min.


Roma, Cidade Aberta pode ser considerado um documento do pós Segunda Guerra em Roma. Filmado em 1945, ano que a guerra acabou, o filme mostra a cidade de Roma ainda ocupada pelos nazistas. É uma ficção extremamente realista, tanto que este filme é considerado o percursor do movimento estético do cinema italiano, chamado neo-realismo. 

Paul Kael, autor do livro "1.001 noites no cinema", editado pela Cia das Letras em 1994, escreveu: "Roberto Rossellini escancara o mundo com este filme, feito logo após os Aliados terem tomado Roma. A fama deste relato melodramático e brutal da resistência clandestina à ocupação nazista está em seu extraordinário imediatismo e em seu visual bruto, documental; quase sempre surpreendente, parece mais 'captado' que representado". E Paul Kael tem toda razão, parece um filme documental, principalmente em suas primeiras imagens e nas cenas em locações externas. Roma ainda estava sob os efeitos da guerra. 

O filme conta a história de Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), um líder do movimento de resistência a ocupação nazista, que está sendo procurado pela Gestapo. Giorgi se esconde na casa de Francesco (Francesco Grandjacquet), um tipógrafo que também faz parte do movimento e que está prestes a se casar com Pina (Anna Magnani). Todos eles são personagens que estão a todo tempo burlando regras para sobreviver em uma cidade "desgovernada". A Igreja Católica aparece como aliada ao movimento com ajuda do padre Don Pietro (Aldo Fabrizi) que tem uma certa liberdade perante o exército alemão.

Roberto Rosselini conseguiu colocar na tela os momentos mais sombrios de Roma, tendo a cidade como uma de suas personagens. Ela é vista do alto no início e no final do filme. Teve como parceiro o iniciante Federico Fellini, que dividiu o roteiro e assistência a direção com Sergio Amidei. O filme foi considerado revelação no Festival de Cannes de 1946 e no qual recebeu a Palma de Ouro. Não poderia ser diferente, pois trouxe ao cinema uma nova forma de filmar, com a câmera mais livre, com uma história real e com personagens autênticos. 

Contou com interpretação magistral de Anna Magnani, que roubou todas as cenas das quais participou. É inesquecível a sequência que ela sai correndo atrás de Francesco depois dele ser capturado pelos soldados alemães e é assassinada com a frieza comum dos nazistas, tantas vezes representada no cinema anos depois. 


Portanto, Roma, Cidade Aberta foi o primeiro filme a colocar na tela os horrores nazistas. Um filme de extrema importância para a história do cinema italiano e do mundo. 







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